quarta-feira, 31 de julho de 2019

Queria que tivessem me dito isso no começo do intercâmbio


Hoje uma pessoa no trabalho me disse que ela não pode contar com meu julgamento porque ele não é objetivo.
 

Atualmente, estou fazendo meu estagio em Lyon. Foi uma das poucas oportunidades de trabalhar com engenharia de dentro da empresa - no escritório - ao invés de trabalhar no canteiro de obras. Foi também a primeira oportunidade de observar o ambiente corporativo francês. O modo como as pessoas se comportam, sobre o que elas falam, como elas se vestem e quais características são louvadas e quais são execradas.

Ainda não tinha trabalhado em escritório estando na área da construção e algumas das minhas experiências anteriores na França para compensar a falta de bolsa de estudos - o que afetou bastante meu desempenho escolar - haviam sido :
  • Como garçom
O Hotel/Restaurante era luxuoso então recebia pessoas do mundo inteiro que passavam por Paris. Encontrei produtores brasileiros de café tentando vender café na França (aparentemente apenas 2-3 pessoas vendem o café brasileiro em toda Europa, se você tenta não passar por essas pessoas, você é boicotado), alemães que trabalhavam nas grandes corporações de direito europeu, artistas que trabalhavam na Paris Fashion Week, americanos de todas as partes dos EUA - inclusive me perguntaram se fazíamos hambúrguer, o que deixou o chefe do restaurante extremamente nervoso.
Eu era o único garçom/caixa/assistente de cozinha/bartender/faxineiro nos fins de semana, posso te confessar que em relação aos preços dos pratos, eu pagava meu salario em um dia de trabalho. Porém meu contato era em grande maioria com turistas, pessoas que estavam felizes por estarem ali. Não havia contato com a gerência do restaurante nem com o grupo que gerenciava o empreendimento.
  • Como freelancer em informática
Aparentemente é uma realidade tanto no Brasil quanto na França: as pessoas que trabalham com informática são exploradas. Nunca recebi tão pouco pelo tanto que fazia. Encontrei pessoas de todos os tipos e nacionalidades, entrei nos escritórios de La Défense com a vista sobre a Fundação Louis Vuitton e mais ao fundo sobre a torre Eiffel para instalar computadores estando com fome e com frio durante um dia inteiro.
O problema não era o trabalho, trabalhar nunca é um problema. O problema principal era a falta de dignidade de condições ideais de trabalho. Um padrão muito interessante era que os estrangeiros eram empregados com contratos de curta duração (Mini-CDDs) e os franceses conseguiam contratos de longa duração (CDI).
  • Como estagiário de Engenharia Civil em um canteiro de obras
Embora tenha sido uma experiência extremamente dura e em certos momentos traumatizante, foi minha primeira experiência direta com engenharia civil. Eu não tive contato com muitas pessoas nem estava inserido no ambiente de trabalho da empresa que eu fazia parte. Dentro do canteiro existia uma relação de suserania e vassalagem, uma hierarquia infelizmente necessária mas não menos excruciante. A parte mais interessante foi ouvir a experiência dos pedreiros, dos artesãos e das pessoas que faziam parte do verdadeiro trabalho do canteiro, de produzir diretamente aquele edifício. O canteiro é um ambiente multicultural. Eu falava mais português do que francês durante meu estágio. Logo não havia contato com a tal da cultura corporativista francesa.
Esse estágio como Engenheiro de Métodos (Ingénierie Méthodes) em Lyon foi a primeira oportunidade fora da Escola de Engenharia de entender como a engenharia funciona fora do canteiro, ou de uma maneira mais generalista, como são certas relações de negócios na França. Estando nesse novo ambiente, pude comparar como ele reflete ou deflete em relação aos ambientes anteriores.

Mesmo que tenhamos reflexões relevantes internamente - diga nos comentários abaixo se você concorda - sinto que nunca fui estimulado à compartilhá-las no Brasil. Sempre que não gostava de algo, era melhor dizer que estava bom pra não “ofender” a pessoa do que dizer a verdade - mesmo que de modo construtivo. Lembro inclusive de situações na vida no trabalho que se opor à hierarquia presente era visto como um desafio. Tanto na sala de aula quanto no trabalho existem relações hierárquicas muito fortes onde os chefes e os professores são criaturas a serem "adoradas".

Essas experiências moldaram meu comportamento, mesmo que em algumas famílias essa abordagem seja diferente, senti que na cultura francesa observei o incentivo contrário na grande maioria dos casos.

Desde pequenos as opiniões das crianças são ouvidas e incentivadas assim como postas em cheque. As crianças participam ativamente dos assuntos em pauta na mesa de um almoço de domingo. Uma opinião generalista como “isso é interessante” ou “isso é importante” é compreendida como inocente e fútil, então as crianças são incentivadas a dar respostas bem argumentadas e completas. 

E faz todo sentido. Uma frase como "isso é interesante" é relativamente normal mas nela falta precisão como : O que é importante exatamente? Qual é o objeto da conversa? Se estivermos falando sobre direitos humanos, qual aspecto dos direitos humanos é importante ? Em quais situações você está pensando precisamente quando faz sua consideração ? Essas situações são realmente regras ou são exceções ?

Existe uma certa genialidade em falar a verdade usando a retórica que é louvada na França. A eloquência é tida como a característica última das pessoas inteligentes. Escrevi isso no meu outro texto aqui. Talvez seja por isso que o RAP francês está tanto em voga. Para essa pessoa no meu trabalho em Lyon, eu não emitia opiniões suficientemente exatas. Mas pra quê dar uma opinião com um encadeamento lógico perfeito em um assunto que desconheço? Só pra parecer "genial"?

Eu diria até mais... em outras situações como no estágio no canteiro de obras, esse julgamentos objetivos passeavam bem próximos ao desrespeito.

Finalmente, em que situações nesses últimos dois anos uma adaptação foi necessária? Como discernir onde está uma frase "bien tourné" nessa linha entre o desrespeito e a "genialidade" ?

Um dos meus maiores receios desses dois anos foi ser mal compreendido. Falando uma língua que não era a minha, perdendo milhares de nuances culturais todos os dias e pisando em ovos a cada contato. Mas sabe, e daí? Mesmo se a gente cometer uns erros aqui e outros ali, somos capazes de aprender apenas no momento em que nos lançamos. 

Não tem problema você ultrapassar a linha, é até importante que você a ultrapasse correndo o risco de errar. 

Se você observar que a reação não foi das melhores, se você esforçou para se fazer entender e não deu certo, a melhor dica que eu posso te dar é muito simples :

Peça desculpas. Mas não tenha medo de errar.
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terça-feira, 25 de junho de 2019

G16/EIVP voltando ao Brasil em um mês + MegaPack "Pisei na França e Agora ?"

Olá à todos vocês ! Aos que estão chegando, bem-vindos e aos que estarão partindo, simbora!

Nessa reta final do intercâmbio, o tempo tem passado depressa. Quase como se ele corresse pra próxima cena, para o próximo diálogo entre personagens. Esses anos pra mim e pra todos desse intercâmbio foi um ano de desafios. Cada um enfrentou dificuldades inimagináveis pelo caminho, encontrou respostas extremamente interessantes à partir dos desafios impostos.

Semana passada nós da EIVP apresentamos o trabalho de conclusão de curso ou travail de fin d'études. Na minha experiência pessoal, foi sensacional ser capaz de fazer a apresentação do TFE na EIVP, sozinho, para um jury de duas pessoas extremamente exigentes e que acolheram minhas idéias assim como meu raciocínio. Mesmo as idéias e as respostas que improvisei na hora da apresentação.

G16 - EIVP - Junho 2019

Estava pensando que ao contrário do clichê, não passou rápido. Foram dois anos sem bolsa, dois anos contando com a ajuda diária das pessoas ao meu redor. A razão de não ter desistido? Justamente essas pessoas me mostraram um apoio imenso, devo tudo isso à elas.

Nesse sentido, quero sempre tentar retribuir um pouco do que fizeram por mim. Então pra quem está chegando, vou escrever aqui um MegaPack de dicas. Correndo o risco de ser um pouco repetitivo em relação ao guia ENPC/EIVP, mas especificamente pra EIVP  :

1 - Alojamento :
A EIVP tem uma parceria com o CROUS Créteil e pedindo mais informações às pessoas na secretaria, ou por e-mail, eles podem conseguir uma vaga pra você. Não é uma promessa, mas uma possibilidade. Porém, uma vez que eles te enviam o e-mail de aprovação, você precisa responder o mais rápido possível pra garantir sua vaga. A segunda opção é procurar nos grupos do Facebook da EIVP.

2 - Celular / Chip :
Os correios (La Poste) vendem uma opção de chip pré-pago que você pode usar pra receber ligações, custam 10 euros aproximadamente.
Algumas operadoras como Free Mobile tem promoções em que você paga 1 euro por mês durante 1 ano, obtém 100 gigabytes de dados, ligações e mensagens ilimitadas.

3 - Banco :
Em 2018 e 2019, os bancos online finalmente chegaram na França. Pra maior parte das operações francesas, você precisa de um RIB francês, como pra receber algum auxílio estudantil ou o seu salário de estágio. Normalmente por lei, eles são obrigados a depositar no RIB que você fornecer. Mas a maioria dos softwares que eles usam pra organizar os RIBs, só aceitam números de RIB franceses.
NÃO ACEITE TODOS OS TERMOS DO CONTRATO DO SEU BANCO. Eles incluem diversos pacotes e serviços que você não vai usar ou que você pode encontrar em outros lugares mais barato como os seguros de alojamento.
Um bom banco é o Boursorama : https://www.boursorama-banque.com/?origine=2403
Peça à alguém um código de partenariat pra você ganhar 150 euros ao abrir sua conta.

4 - Transporte
Dentro de Île-de-France, você pode ir pra todos os lugares uma vez que você possua seu Passe Navigo. O plano estudante se chama Imagine-R. E finalmente, ele também pode ser feito online. Uma maravilha ! Se você não tiver um endereço aqui na França, entre em contato com os moradores atuais, tente negociar pra pedir com antecedência e mandar entregar na casa de alguém que irá te buscar no aeroporto. Ele demora um pouco à chegar e quanto mais rápido você adiantar, melhor pra ti !
https://www.imagine-r.com/

5 - Roupas de frio
As roupas mais baratas estarão na Primark. Existem algumas fora de Paris.
As roupas baratas, mas ainda assim em conta, você pode encontrar nos mercados de rua, principalmente no bairro de Belleville. Não hesite à comprar com alguns meses de antecedência. Um verão bem quente é certeza de um inverno ridiculamente frio por aqui.

6 - Se tornar 100% fluente em francês e francês técnico
Se eu pudesse fazer uma curva de aprendizado do francês desde que eu cheguei, seria assim :

Eu senti que aprendi muito nos primeiros meses e depois de um tempo, senti que não estava conseguindo fazer nenhum avanço durante vários meses. Me perguntei qual o motivo, tentando encontrar uma resposta em mim. Estava bem aí meu erro.

Quando usamos uma linguagem, nós temos modelos mentais do que significam as palavras e as expressões que elas contém. Como quando falo "esse trem é bom", a palavra "trem" na minha mente é um modelo genérico de qualquer elemento que eu esteja com vontade de destacar - logo uma das vantagens em ser mineiro. Pode parecer simples, e é. Esse modelo mental foi aprendido por mim ao longo das minhas interações com as pessoas. A única maneira de você aprender alguns desses modelos mentais é com os franceses. Sem a integração, sem ir nas festas com eles, sem conversar, puxar assunto mesmo aos trancos e barrancos, não há como você encontrar esses modelos mentais na internet - ou muito raramente.

Ainda mais complicado é o uso de termos técnicos em francês. No início, muitos termos técnicos fugiam à minha compreensão. Fiz um dicionário bem rudimentar francês-português em engenharia civil, mas prefiro não compartilhá-lo. Ao invés disso, forneço aqui um exemplar ainda mais completo da tradução inglês-francês em Engenharia Civil :

 https://drive.google.com/open?id=1BHteQsEIuwXzDHviKC9f7M1jDAX6tLo9


7 - As vantagens de não ser um especialista - Tente aproveitar ao máximo as conferências e atividades extraclasse propostas pela EIVP e procure outras, mesmo que o tempo esteja curto ! São essas participações que vão te dar as referências, o espírito crítico e o vocabulário em engenharia na língua francesa
Estava lendo essa matéria muito interessante sobre como pessoas que são generalistas - pessoas que se interessam por uma variedade de assuntos - tem uma flexibilidade em adaptar o conhecimento entre essas áreas que pode levar à contribuições surpreendentes.

A EIVP é uma escola de engenharia generalista. Ela forma engenheiros que sejam capazes de se adaptar à diversas situações. Num mesmo dia você vai calcular e dimensionar uma laje em concreto e vai realizar um projeto que precisa atender uma necessidade - que você deve ser capaz de absorver - de Paris e seus arredores.

O artigo está aqui, nesse jornal maravilhoso chamado Nexo Jornal.

Tente sempre adaptar sua história, sua cultura e quem você é para colocar em prática nos projetos da EIVP. O meu primeiro projeto da EIVP, me inspirei na arquitetura do Niemeyer na obra da Igreja da Pampulha. O primeiro projeto, o Projet Construction, é completo. Realizamos todo o processo de concepção desde a compreensão da necessidade do cliente até a entrega do projeto (dossier) como se fosse uma resposta à uma licitação (appel d'offre). Não era um projeto perfeito, não foi um dos meus melhores trabalhos, mas foi uma maneira de dizer que sentia saudades de casa.


E logo chego aí em casa.
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sexta-feira, 5 de abril de 2019

A cadência francesa

Le Crotoy - Normandie

Desde que cheguei, tenho me apaixonado um pouco mais pela humanidade. A maneira de ser e interagir, toda essa sensibilidade que reina logo abaixo dessa camada superficial de palavras. Ao mesmo tempo, percebi que a maior parte das observações que tenho sobre a França são iguais ou muito parecidas com nosso comportamento brasileiro. Não existe uma grande diferença assim apenas sutilezas. Uma delas é a cadência.

Primeiro, gostaria de definir o que entendo por cadência. Não sei a definição linguística mas defino aqui como o ritmo que conduzimos ao compor uma frase oralmente.

Por exemplo, no português marcamos nossa cadência colocando vírgulas em posições definidas na frase. Essas vírgulas embora nem sempre condizem com o que os gramáticos gostariam que fosse feito, ditam sobre as pausas quando falamos. Aqui nesse texto é a melhor forma de demonstrar o que quero dizer.

No português poderíamos fazer uma frase falando:

1. Ontem eu estava em casa, lendo um livro, e miraculosamente do nada, alguém bateu na porta.
2. Ontem, eu estava em casa lendo um livro, e miraculosamente, do nada, alguém bateu na porta. 

É uma mudança muito sutil nas pausas que fazemos que não faz muita diferença na língua portuguesa. A função da língua foi cumprida: a história foi compreendida, a informação transmitida.

No francês, essas pausas são uma regra. Uma mesma história pode deixar de ser compreendida se você não colocar as pausas no lugar apropriado. Elas são muito mais importantes e de fato sem a presença do silêncio, a função da língua - de transmitir uma informação - não seria cumprida. Os franceses não entenderiam. Isso provoca uma confusão gigante. Nunca sabemos quando alguém terminou de falar algo ou quando "podemos" falar - sem sermos extremamente mal-educados.

E ainda no francês parisiense, se você não terminou de concluir um raciocínio é melhor você estender o som de uma vogal do que deixar uma pausa. A pausa simboliza o fim de uma construção lógica dentro da composição de uma frase.

Quando aprendemos as três possibilidades de fazer uma pergunta em francês, reafirmo que são uma verdade extrema. Não existe a possibilidade de que algumas palavras mudem de lugar e dê certo. Eles não entenderiam a frase.

Essa forma é sempre muito bem definida.

Mesmo que uma pessoa seja inteligente e competente, a definição de alguém brilhante ou genial na França é diretamente ligada ao domínio da linguagem corporal e oral. Um domínio do tempo entre a colocação das palavras. Um domínio da cadência.

A questão central têm sido como alguém consegue controlar ou provocar na mente do seu interlocutor uma combinação perfeita. Ajustando cada intensidade das palavras escolhidas na frase.

Eu cito essa intensidade das palavras porque a provocação é algo muito importante nesse "ambiente intelectual" francês. A provocação consciente dentro da cultura francesa é a prova de um certo brilhantismo radiante e que a princípio, me causou um choque cultural.

Ao mesmo tempo, deixo pra você o questionamento final, quais desses comportamentos são tão diferentes assim do que temos no Brasil?
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domingo, 9 de dezembro de 2018

Custo da França, Paris e o que estou estudando

Fala meu povo!

Continuando nossa série de perguntas frequentes pra poder atualizar as coisas por aqui, segue esse post caprichado!

  • AS BOLSAS
"Não é barato viver na frança." 'Não é nem um pouco barato viver em Paris." Vocês vão ouvir isso demais, e tem sim sua verdade. Paris é uma das cidades mais caras para se viver e o câmbio atual não ajuda. Hoje, lamentavelmente o acordo de Duplo Diploma da UFMG só da direito a 3 bolsas: 2 para a ENPC e 1 para a EIVP. Para os 11 alunos que tentaram o processo seletivo no ano passado, apenas 3 tiveram a certeza de que teriam seus estudos financiados pela CAPES.

Por outro lado, existem outras possibilidades, sendo a principal a Bolsa Eiffel que é ofertada pelo governo francês por intermédio da Campus France a alunos que possuem bom desempenho acadêmico (aqui se enquadram os postulantes ao duplo diploma), sendo que se concorre com pessoas do mundo todo. A pessoa não pode se candidatar a essa bolsa, apenas a escola para a qual ela vai consegue fazer isso. No nosso caso, a ENPC envia os dossiers dos alunos (a EIVP não envia, mas é porque o aceite da escola só é realizado após o prazo final). Historicamente, alunos da UFMG vinham conseguindo algo em torno de 2 bolsas por ano, mas nos últimos dois anos isso aumentou: a G16 pegou três e a G17 pegou quatro. #MerciMacron

As bolsas CAPES são atribuídas para os primeiros colocados do processo seletivo, mas em caso desses serem selecionados pela Campus France elas são passadas para os demais. Ainda existem outras possibilidades de bolsas na frança, especialmente de empresas ou até mesmo uma bolsa social que a Ponts oferece aos seus alunos, mas isso não é tão garantido nem tão frequente.

Então, esse ano tivemos 7 bolsas no total, mas estamos indo em 10. Um dilema muito grande é: "Vale a pena ir sem bolsa?". Clique aqui e veja os artigos desse tópico.


  • CUSTO DE VIDA
Bom, pra mim que nem cheguei na França ainda fica um pouco complicado falar disso, to me baseando muito no que os veteranos falam. Daí ouçam o vlog da Ludmilla (G16) falando um pouco sobre o assunto:



Gastos mensais do ano de 2018 :
Aluguel
  • Aluguel médio Studio em Paris = 700 euros
  • Aluguel médio Republica (Collocation) Paris = 400 euros
  • Aluguel médio quarto em uma casa grande com jardim fora de Paris = 400 euros
    • Onde procurar?  PAP.fr
    • Regiões :
      • Departamentos 95 : parte sul (São bairros portugueses), 
      • 93 : qualquer lugar é barato, mas você vai precisar andar um pouco até o metrô, o que é normal pra maioria das pessoas que moram aqui
      • 92 ou Versailles : Fica longe, mas é bonito e você tera tempo de ler no trem :)
Alimentação
  • Preço médio alimentação sem cozinhar em casa e sem limites = 200 +/- 50 euros
  • Preço médio alimentação cozinhando em casa e com uma dieta balanceada = 90 +/- 20 euros
Transporte
  • 38 euros e você pode andar por todo départment d'Ile de France
 Outros
  • Seguridade social obrigatória : 215 euros/ano (esse ano foi de graça, não sabemos se vai continuar sendo assim...)
  • Seguro Responsabilité Civil com seguro Moradia : 1 à 15 euros por mês (encontre um bom banco popular que seja barato)
  • Confirmação do visto pela OFII + Renovação apos um ano : 60 euros + 60 euros
  • Participação pra fazer esportes pela EIVP : 90 euros
  • Viagens primeiro semestre pela EIVP (integração) : 300 euros (duas viagens 90+210)
  • Festas EIVP : 0 à 5 euros
  • Preço médio de roupas de frio Decathlon (Conjunto Segunda pele, meias de frio, etc) : 50 euros
Obs.: O que é responsabilité civil? Um seguro universal Francês sobre tudo de errado que você possa vir a fazer. Desde deixar o computador de um amigo cair na École, até você esbarrar e deixar cair a Monalisa numa visita ao Louvre.

  • O QUE EU VOU ESTUDAR NA FRANÇA?
Depende. Existem 3 possibilidades: GCC, VET ou EIVP. 

Se você for pra ENPC e escolher o GCC (Génie Civil et Construction) você vai ver matérias próximas das que temos no Dep. de Estruturas, Geotecnia e Materiais. Eu ainda não comecei a estudar lá, mas ouço de todo mundo que o curso não é tão fácil. Há uma grande ênfase na formulação matemática das coisas, algo com o que não estamos acostumados aqui no Brasil. Mas é suportável, especialmente para quem gosta da área.

Se você escolher o VET (Ville, Environnement et Transport) você ainda vai ter que escolher um domínio de estudos (transportes, ambiental e planejamento urbano) e vai ter que fazer algumas matérias obrigatórias e algumas outras livres (escolher dentro de uma lista que eles te dão.

O currículo da ENPC é bem flexível. Você tem que cursar uns 70% de disciplinas obrigatórias, mas de pode escolher as outras dentro de uma lista e ainda cursar qualquer outra matéria que você queira como eletiva (desde que caiba no seu horário). É bem diferente da UFMG em que já temos tudo bem definido.

Já na EIVP, a formação é bem parecida com a da UFMG, temos matérias de hidráulica, estruturas, urbanismo entre outras. Porém é uma formação mais intensa. Em alguns dias, as aulas começam às 8h30 e acabam às 20h, com uma pausa pro almoço de 11h-13h e pequenas pausas de 15 minutos entre as aulas de 3h cada. A cada semestre, paralelamente às matérias, temos projetos com os mesmos níveis de complexidade que o TIM I, II e III da Engenharia Civil. Além disso, cada professor de uma matéria a ensina em poucas aulas e no maior nível de detalhamento possível. Então em um semestre, fizemos todas as matérias que teríamos ao longo de três semestres na UFMG na área de Estruturas por exemplo. O foco da EIVP é formar bons profissionais, atuantes e com boa argumentação - por isso muitos projetos são feitos independentemente pelas pessoas e apenas acompanhados pelo professor como se este fosse um cliente - que saibam lidar com pessoas, com propósitos e propostas. A formação também inclui matérias de cunho social, com debates, estudos sociais e comportamentais principalmente aplicados à dinâmica urbana.

Tem opções para todos os gostos, já que os cursos são bem distintos dentro da Engenharia Civil. Faça sua escolha considerando isso!

À bientôt!
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segunda-feira, 23 de julho de 2018

Moradia e contratempos

Bom dia!


Faltam menos de uma semana para os primeiros 4 da G17 pisarem em solo francês. Vamos sair dia 27 do Brasil e passar não sei quantas mil horas dentro de um avião, em que finalmente vou poder confirmar se pessoas de 1,83m de altura sofrem em viagens internacionais. Espero que seja de boas e eu consiga dormir uma boa parte do tempo.

Mas então, o post não é sobre isso. Aconteceu um problema meio chato com a alocação de quartos na residência universitária que iriamos ficar próximo a faculdade (pra quem vai pra ENPC). A maioria dos BRs que vão não recebeu o e-mail confirmando nosso quarta e, quando fui cobrar a responsável ela disse que não haviam mais vagas lá e que eu seria alocado em uma outra residência, a 45 minutos da Ponts. Receber essa notícia a menos de uma semana do dia da viagem foi assustador e quebrou todo o planejamento que tínhamos estabelecido.

Meunier - FOTO: Reprodução Google Maps
A nossa primeira opção seria ficar na Meunier, muito próximo a faculdade (2 minutos andando), ela sendo o local em que os estudantes do 1º ano ficam e os estrangeiros também podem solicitar morar lá. Bom, a gente ficou sabendo que os veteranos todos moraram lá e aplicamos para um quarto logo quando foi possível. Só que aparentemente não encontraram o nosso e-mail.

Com isso, alguns já foram encaminhados para a Maison des Mines, que fica no centro de Paris mesmo. Ela é próxima a Sorbonne, Jardin du Luxenbourg e do Pantheon. Muito bem localizada e com um aluguel um pouco abaixo da Meunier. O problema são os 45 minutos de distância mesmo, sendo necessário depender do transporte público todo dia para chegar a Ponts, acordando um pouco mais cedo e chegando um pouco mais tarde.

Maison des Mines - FOTO: Reprodução Google Maps
Ainda não foi decidido o que vai acontecer, mas o fato é que de acordo com a responsável pela alocação de quartos não há mais vagas na Meunier e iremos ser alocados na Mines. E nem dá pra ser resolvido agora, já que a mulher está de férias até dia 3 de agosto. Vamos ter que olhar isso lá pessoalmente nesse dia.

Mas assim, ambos os lugares tem sua vantagem e é bom deixar registrado que existe sim a possibilidade de solicitar ser alocado nos dois. Confesso que eu imaginava que a Maison des Mines era só para pessoas que não estão no 3º ano e a Meunier para o 2º.

Bom, depois volto com mais novidades!

À bientôt! 
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segunda-feira, 16 de julho de 2018

Tópicos sobre o Processo Seletivo



Olá, pessoal!

Aproveitando que o semestre chegou ao final e o sentimento predominante é o alívio por ter acabado, teremos mais oportunidades de estar aqui comentando algumas coisas. E, por que não começar os trabalhos com um post realmente informativo: queremos abordar alguns dos tópicos que mais geram dúvidas. 

Eu ia fazer algo detalhando várias perguntas frequentes de uma só vez, mas ia ficar maior do que a Torre Eiffel, daí decidi por separá-lo em alguns menores pra poder ter mais e mais informações. Lembrando que muitos dos posts antigos ainda são muito válidos, então se você é novo aqui não deixe de dar uma olhada!

Sem mais delongas, allons-y! 

Vocês já devem ter ouvido de tudo sobre como é a seleção, mas a grande verdade é que ela não mudou tanto desde que o Lopes escreveu aqui pela primeira vez. Claro que isso pode se alterar para o próximo semestre, mas considerando o histórico é muito provável que ela seja em 3 etapas: inscrição, prova e entrevista.

É aberto um edital normalmente no final de outubro em que vocês devem se inscrever para participar das outras etapas, se perceberem que o edital está atrasando muito corram atrás do Roberto Márcio e do Nilo. São documentos que vocês já tem: CV, histórico, identidade, etc.

Logo após tem uma prova pra avaliar seu nível de francês. Vocês tem 1 hora para responder algumas questões sobre um texto bem grande que lhes é passado. O vocabulário não é dos mais fáceis, mas quem estuda francês consegue se virar bem, especialmente com a questão argumentativa. Aqui cabe uma dica: o Huly e eu fazíamos francês particular e conseguimos moldar boa parte das nossas aulas para conseguir fazer bons textos argumentativos. 

A parte mais determinante é a entrevista que é feita com o Nilo e o Roberto Márcio em francês. Vão te perguntar qual departamento você quer, quanto tempo estuda francês, por que quer ir estudar na França. Essas coisas. Não é muito difícil e o Nilo é um amor, então ele vai te ajudar.

Resultado de imagem para estudar
FOTO: Reprodução https://www.maycondelpiero.com.br
Após isso vocês aguardam o resultado, que não costuma demorar muito (acho que o nosso foi 3 dias). A avaliação é um tópico controverso que é uma dúvida de geral, e até mesmo nossa. É critério dos dois professores definir os estudantes aprovados e, analisando o histórico, não tem um padrão muito claro. 

Não costuma ser por órdem de RSG (se os RSGs forem próximos), mas normalmente os maiores RSGs ficam sim como melhores colocados e, consequentemente, com a garantia de bolsa de imediato. Existe escrito em algum lugar que não me recordo que a escolha é feita com os pesos de 50% para o RSG, 30% para o Francês e 20% para seu Curriculum.

"Ah, mas meu RSG é bom o suficiente?" Isso depende muito, meu pequeno gafanhoto. Vai variar de ano a ano das pessoas que estão concorrendo com você. Eu acho que uma boa referência para se ter é que acima de 4,5 é quase garantido que você vai ter bolsa (se a situação atual continuar). Mas é bem possível conseguir ir com RSG em torno de 3,5-3,8. Então se você realmente tem interesse em fazer esse intercâmbio, corra atrás dos coordenadores mesmo que você não fique na lista que eles divulgam como "os classificados". Se fizer isso, provavelmente nos veremos na França!

Iniciação cientifica é sim um diferencial e vai te ajudar a escrever a sua carta de motivação. Tenho impressão que eles avaliaram muito bem as monitorias no departamento de matemática. Recomendo muito fazer, não só pelo Duplo Diploma, mas sim porque é uma experiência muito legal.

Por último, o Francês. Recomendo começar a fazer o quanto antes. Comece no CACS, CENEX (que não precisam de muito investimento) ou Aliança Francesa, se tiverem condições. Eu comecei no segundo período. Mas assim, se as suas notas são uma das maiores do seu ano mesmo com pouco estudo de Francês, você ainda tem muita chance de ser classificado. Não desista!

Qualquer dúvida, os comentários estão abertos e a gente ta aqui pra responder! À bientôt! 
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quarta-feira, 11 de julho de 2018

Três aprendizados desse primeiro ano sem bolsa na França


Lembro de uma das minhas primeiras aulas na faculdade, em que um professor falava sobre as oportunidades de intercâmbio em diversos países. Todos estavam animados, se sentindo desafiados pela proposta. Me lembro que na época sobravam bolsas. A maioria das salas de graduação, pós-graduação e afins eram compostas principalmente por veteranos falando onde fizeram seu intercâmbio, onde fariam ou que era pra fazer logo pois estava certo que iam cortar as bolsas.

Nesse mesmo ano, a situação financeira da minha casa tinha chegado no limite em que se escolhe qual conta pagar e qual atrasar. O ano em que entrei na faculdade foi o mesmo ano que pela primeira vez faltou dinheiro pra transporte e pra comida. A FUMP me forneceu as assistências que podia, que me foram de grande ajuda, mas não chegava nem perto de dar tranquilidade pra estudar. De certa forma, eu sabia que se eu quisesse vir pra França, seria por um caminho cheio de obstáculos de todas cores e tamanhos. E foi assim. Desde ir de bicicleta pra UFMG pegando o Anel Rodoviário até passar dias inteiros batendo de porta em porta procurando emprego ou uma bolsa de iniciação cientifica.

Pensei em desistir a cada obstáculo. Desistir sempre foi e sempre será o caminho mais fácil, confortável e menos doloroso. Mas esse ano que passei aqui na França, tendo que trabalhar e estudar aqui, usando a habilidade de manter a consciência num nível em que é possível gerenciar o tempo e superar mentalmente cada dificuldade, nada disso seria possível sem ter passado por isso antes na UFMG.

Um mês antes de pegar o avião, sonhava continuamente que estava na França. Acordava suando frio no meio da noite. Tentava aprender tudo que fosse possível, cada trajeto, cada traço cultural, cada tabu, personalidade, pensamento. Quando pisei na França, fui recepcionado por duas pessoas. Gabriel, um grande amigo e Isabelle, a pessoa com quem aluguei um quarto a 50 minutos de Paris pra pagar metade do preço de um aluguel normal (aluguel médio de Paris morando sozinho = 700 euros). Ela foi muito gentil em me receber no aeroporto, me ajudar em todo meu processo como estudante na França, todos os documentos, currículos, dicas e possíveis riscos e eu tentei retribuir de toda forma que eu pude. Talvez essa seja a primeira lição : uma lição altruísta.

Quanto mais você se doa pra alguém aqui, mais essa pessoa se doa pra você. É uma relação saudável que não depende de expectativas nem de julgamentos. É uma ajuda simples e boba, sem esperar nada em troca, que muda toda sua relação com as pessoas ao seu redor e como você se sente no ambiente que te cerca.

É verdade também que nos meses que se passaram, percebi o quanto era dependente das pessoas ao meu redor. Perdi toda referência de quem era e todas as minhas seguranças tao bem construídas no Brasil, não eram mais  verdade. As pessoas mais próximas que realmente se importavam comigo, que sabiam quem eu era e que eu sabia quem eram, estavam do outro lado do oceano. Às vezes pensei se era culpa das diferenças culturais toda a solidão que sentia, mas não era.

Na verdade, a cultura francesa e a brasileira são próximas. E ainda mais quando alguém ouve a palavra Brasil. Na mente da pessoa, a ligação entre Brasil, carnaval, futebol e felicidade é instantânea. Então todo lugar que chegamos, somos muito bem recebidos - porque afinal, recebemos esse pessoal muito bem na nossa casa.

No conjunto de coisas boas, ruins, intersecções e não pertencentes aos conjuntos, a dúvida foi sempre o que mais me incomodou. Não ter certeza sobre o momento, sobre ter o que comer, ter onde dormir, não ter controle sobre a situação pessoal, acadêmica, profissional nem financeira pra realizar o melhor possível no tempo disponível. Aprendi uma lição egoísta.

É na solidão completa de estar no meio do desconhecido que a dúvida se agrava. E é por isso que ela é importante. O importante nesse tempo foi e têm sido me fortalecer sempre nas minhas convicções encontrando respostas em mim ou nos meus amigos pras dúvidas no caminho.

Talvez eu seja muito otimista. Vejo claramente uma linha de fatores, decisões e pequenos detalhes que compõe, virão a compor meu futuro ou o que eu quero que ele seja. E talvez sim, tudo seja uma questão de perspectiva. Talvez seja infantil pra você, ou meio bobo, mas se tem uma pessoa que realmente ouvi esses anos foi minha mãe. Pelas coisas que ela nunca disse.

Ela nunca me criticou destrutivamente, nem me disse que eu não era capaz. Ela não me disse pra manter os pés no chão quando eu subia alto quando pequeno. Ela não fazia graça das minhas idéias loucas, nem usava palavras que me ferissem. Eu tive sorte em ter pais excelentes, ter sempre bons exemplos de valores e de visão sobre a vida. Fora o privilégio de ter vindo pra França como estudante, o que facilita o processo e ainda reduz o preço ou torna gratuito o transporte, a moradia e a alimentação. Uma situação completamente diferente de todas as pessoas fugindo de guerras que estão nas ruas de Paris buscando esses três itens mencionados. Buscando paz. Ou seja, toda dificuldade é minúscula. O terceiro aprendizado, um mesmo quadro é completamente diferente se visto do outro lado da sala.

O privilégio de estar aqui é único e não vem sem responsabilidades. Não é apenas uma viagem nem apenas um diploma, uma linha pra incrementar o currículo ou uma oportunidade de ganhar dinheiro.

É o que você quer que seja. São as portas que você abrir, os contatos que fizer e o caminho de onde você quer chegar. É uma chance de ampliar suas perspectivas. É uma chance de usar seu privilégio e sua nova perspectiva pra mudar a vida de outras pessoas.

Por fim, aprendi a ser mais responsável. Pelos outros ao meu redor, pelo que eles sentem mas principalmente por quem são. Essa quarta lição veio meio que por consequência das outras. A França, ou melhor, os franceses ensinam uma lição preciosa da vida. 

Nunca esqueça o fator humano.

Claramente existe uma coisa perigosa acontecendo no mundo quando os materiais, os computadores, os aluguéis das salas de escritório são mais caros que os humanos que utilizam os materiais pra construir, os computadores pra criar e os espaços pra coexistir.

Algo que esta acontecendo na França nesse momento é que as pessoas se especializaram tanto nos seus métiers - sem tradução, bem vindo ao grupo de pessoas que buscam tradução pra essa palavra - que o custo da mão de obra é cerca de 5 vezes mais caro. Isso tem dois efeitos. Muito dinheiro circula, o tempo todo. O segundo é que as pessoas se tornam preciosas. Cada pessoa se torna um investimento sério e não um item descartável. Um ativo e não um passivo de uma empresa ou do sistema. Não importa onde ela esteja na pirâmide da sociedade - embora sua nacionalidade seja às vezes levada em consideração - ela tem seu valor.

Na foto acima, não sei se você reparou, mas eu estou embaçado e o fundo, focado. Esse primeiro ano foi assim. Tentando se encaixar, tentando se misturar na paisagem, tentando se adaptar à quem eles são ou quem eles pensam que são.

Mas nada disso importa meu caro leitor ou minha cara leitora.

Realmente, o que importa, hoje e no futuro, é quem você é.
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domingo, 8 de julho de 2018

Apresentações e retomada: será que agora vai?

Um bom dia pra todos,

É muito bom estar aqui pra anunciar que a G17 vai reativar esse blog. O último a postar aqui foi o Paulo, que já até formou (tanto na Ponts como na UFMG) e antes dele só em 2011. Muito dos registros que vocês encontram aqui ainda são muito válidos e contém informações valiosas. A ideia surgiu há algumas semanas, pouco antes da nossa viagem. O Felipe Félix gentilmente nos cedeu o acesso, o que agradecemos enormemente!

O programa de duplo diploma, pra quem não sabe, é a possibilidade de fazer 2 (ou 3) anos da sua graduação em Engenharia Civil na França. No caso da UFMG, o convênio é com a ENPC e a EIVP. Serão 6 pessoas indo para a ENPC e outras 4 indo para a EIVP esse ano. O aluno estuda na UFMG até o 6º ou 7º período, vai para a França e faz 2 anos de curso + estágio (que pode ser de 3 meses ou 1 ano).

Assim como grande parte dos colegas de G's anteriores, eu fiquei sabendo do programa quando entrei na UFMG em março de 2015 (olhando agora, essa foi a data do último post aqui). O Prof. Roberto Márcio passou uma das aulas da disciplina Introdução à Engenharia Civil falando sobre as oportunidades que o curso oferece e, dentre todas as citadas, a que mais me chamou a atenção foi a do Duplo Diploma.

Obviamente correr atrás de um programa como esse não passava de um sonho (especialmente quando foi comentado os requisitos que o candidato deveria ter), mas para que servem os sonhos se não para te direcionar no caminho que você quer seguir?

Mesmo aquele sendo um comentário bem rápido durante poucos minutos de uma aula de segunda-feira, foi como uma semente que o então coordenador do curso de Eng. Civil plantou. Não haviam muitas informações sobre o programa dentro da UFMG e com os professores era um pouco difícil conseguir (aliás, me pego imaginando o quão heróis foram as Gs que iniciaram esse blog pois se a dificuldade de encontrar informações já é grande hoje, imagine em 2010).

Exatamente nesse contexto, procurei no Google a solução (afinal, não é o que todos fazemos sempre?) e caí aqui nesse blog. Li todos os posts em um único dia, como uma avalanche de informação. Na época eu não sabia quase nada dos termos, bolsas, onde era a faculdade, como seria o curso, estágio longo, visto, Eiffel, CAPES,... mas esse blog ajudou a semear o que aquela aula plantou.

Sou muito grato a todos que já escreveram nesse blog (até mesmo nos comentários) e exatamente por isso o Huly e eu tivemos a ideia de reativá-lo. Queremos usar desse meio de comunicação para levar informação sobre o processo seletivo, sobre a escola, sobre bolsa, sobre a vida, situações aleatórias e o que mais torne-se pertinente. Ou seja, sintam-se livres para pedir pauta e perguntar o que quiserem. Queremos que esse blog seja para as futuras gerações o que ele foi para nós! #nãodeixeoblogmorrer

Por fim, queria convidar aos meus colegas e veteranos de Duplo-Diploma para acompanhar e, porque não, colaborar com esse espaço. Tenho certeza que muitos de vocês possuem histórias interessantes e ensinamentos importantes.

Esse é um espaço colaborativo. Vem com a gente!
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