sábado, 26 de dezembro de 2020

Pandemia? E agora?

Fiquei imaginando várias maneiras de começar esse texto, mas parece que as introduções são sempre as mais difíceis... Olá! Espero que você esteja bem. Eu sou a Karen e passei no processo seletivo do duplo diploma (DD) neste ano de 2020. 

Lembro-me desse mesmo período em 2019, quando eu ficava imaginando o ano novo e como seria em 2020. Isso porque eu já sabia que tentaria uma vaga no DD e, a partir do momento que você faz essa escolha, parece que tudo muda. Eu entrava toda semana no blog para saber se tinha alguma informação nova que pudesse me ajudar, eu lia e relia cada publicação para sentir as emoções de quem passou e, evidentemente, eu passei a me esforçar cada vez mais na faculdade. 

Eu entrei na UFMG no 2º semestre de 2018 e, após uma palestra do professor Roberto Márcio na disciplina de Introdução a Engenharia Civil, eu vi um sonho se formar. A partir daquele momento, eu procurei inúmeras informações sobre o processo e agora, olhando para trás, parece que tudo foi uma introdução - introduções são sempre as mais difíceis...

Porém, nesta publicação, eu gostaria de atualizá-los sobre como funcionou o processo seletivo na pandemia. As aulas em 2020 na UFMG pararam em março por conta da pandemia da Covid-19. Com isso, as pessoas que tentariam o processo seletivo (sempre as que estão no 5º e 6º período de Engenharia Civil), se viram em uma situação que nunca havia ocorrido antes, principalmente quem estava no 4º período. Isto porque, nós (eu fazia parte desse grupo) tentaríamos no período seguinte quando estivéssemos no 5º. Porém, em outubro, ainda estávamos no 4º período, porque a UFMG parou por um bom tempo as aulas. E, caso isso ocorra novamente, eu te aconselho a não parar de estudar francês e/ou utilizar desse tempo para aprofundar na língua. O que ocorreu foi o seguinte: acredito que pela primeira vez, quem estava no 4º, 5º e 6º período puderam participar desse processo. 

Assim que o edital foi publicado, um dos pré-requisitos era estar no 5º e no 6º período, porém, entramos em contato com o Roberto Márcio e ele percebeu que os alunos do 4º período também poderiam tentar, pois houve esse "atraso" por conta da pandemia. 

Para fazer a inscrição foi muito simples: enviar para o e-mail do edital o histórico escolar (poderia ser aquele emitido pela própria minhaufmg), o currículo em francês e em português, além da cópia dos documentos de identidade e CPF. Após algum tempo, nós recebemos um e-mail confirmando a inscrição com um código de acesso a uma equipe do teams. 

No dia 28/09, todos os inscritos deveriam estar presentes na reunião a partir das 09hrs. No total, foram 13 alunos inscritos. Depois que todos chegaram na chamada, os responsáveis pelo processo (apenas o Roberto Márcio e o Nilo), falaram como seria as entrevistas: algo breve, em até 20 minutos, em ordem alfabética e em francês. Logo após, todos os participantes saíram da chamada e os professores foram chamando nome por nome. 

Depois de 1h30, eu fui chamada. Eu estava extremamente nervosa! Assim que eu entrei na chamada, toda a entrevista ocorreu em francês. O professor explicou novamente (em francês!) como funcionaria e começamos. A primeira "pergunta" que ele me fez foi para falar sobre o meu currículo, da minha caminhada acadêmica e profissional. Depois ele me fez algumas perguntas sobre o meu currículo, as experiências que eu tive nas iniciações científicas, nos trabalhos beneficentes e sobre o que eu fazia no meu estágio. Ah, ele também perguntou sobre como o estágio estava acontecendo, visto que estávamos (estamos) em uma época de pandemia, enfim, nessa parte ele perguntou mais coisas detalhadas pessoais. Em seguida, ele me indagou onde eu estudei francês e por quanto tempo, depois ele perguntou do inglês (para as duas escolas, a EIVP e a Ponts, é necessário ter inglês). Em seguida, ele me perguntou se eu tinha maior afinidade em alguma das duas escolas e fechou com a questão de ouro: se eu iria sem bolsa.  Foram poucas perguntas e bem rápido, porque éramos muitos e acredito que os professores não queriam estender. 

Me disseram que o resultado saiu no mesmo dia, à noite, mas eu não recebi e-mail. No dia seguinte, me adicionaram em um grupo do WhatsApp da EIVP e eu fiquei meio confusa... No primeiro momento, pensei que tivessem feito um grupo com os participantes da 20ª geração, mas enviaram um arquivo com a divulgação dos aprovados e, por minha sorte, meu nome estava lá. 

Por eu ter me preparado durante longos (quase) 2 anos, assim que eu entrei na chamada, foi algo natural para mim. É claro que eu também preparei o meu psicológico caso não desse certo, porque havia essa possibilidade. Eu tinha total consciência que todos os alunos participantes eram muito feras e, para mim, estar ali, já era algo sensacional.

Para ser sincera, até hoje a minha ficha não caiu. Durante o processo eu sentia aquela adrenalina constante por ter que fazer N coisas na faculdade e ainda me sair bem nas disciplinas. Agora, se manter é importante, mas mais do que isso, é ter a plena consciência que o caminho que trilhei deu certo. 

E se você está aqui pensando em tentar do DD, eu te digo que vale a pena. Provavelmente você passará por uma introdução, mas o restante do caminho você possuirá foco, pois sabe onde pretende chegar. Não necessariamente será mais fácil, provavelmente não será, mas depois de passar a linha de chegada é alucinante. 


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terça-feira, 17 de setembro de 2019

O que é Paris ? Eu vivi mesmo isso tudo ?


Tento escrever esse texto enquanto a memória das lembranças que vivi começam a desbotar da minha consciência. Essa volta para Belo Horizonte foi mais aterrorizante do que pensava. Quando peguei o avião, vi uma França recortada em paisagens modificadas. Até o horizonte, os arredores de Paris eram recortados por formas retangulares verdes e laranjas. Perto das cidades entre os campos, as árvores delineavam os limites entre o urbano e o rural. Quando desci 12 horas depois no aeroporto de Belo Horizonte, vi até o horizonte uma paisagem modificada. A terra vermelha e seca era a marca de que há muito tempo não chovia na minha casa. As árvores frondosas e esparsas de Minas Gerais. A mulher chamada Marlene, moradora do barreiro, que durante todas as extensas 8 horas de avião entre Lisboa e Belo Horizonte, me fez lembrar desse sotaque tão amado.

Fazem três semanas que cheguei. É como se você tivesse largado um desenho por terminar e voltasse dois anos depois. O papel continua o mesmo, embora tenha envelhecido um pouco, ele ganhou aquele coloração amarelada. Algumas partes mais complicadas, como as mãos, você nem se lembra mais como faz. Outras partes que você havia começado a colocar cor, mancharam ou perderam a intensidade pelo tempo que passou. E na verdade, quando você olha o desenho... O que estávamos desenhando? Era uma pessoa ou um prédio? Estávamos mesmo desenhando? 

É retomar o inexorável. 

Eu permaneço em estado de comparação. Preservar a memória dessa existência do outro lado do oceano parece essencial pra realizar as mudanças que quero na minha vida aqui. O que foi Paris pra mim?

Muito além de todas idealizações, todas as fotos de Instagram com a torre Eiffel, todas as fotos de vestidos e beijos floridos no sol do verão parisiense e de todos as boinas, bigodes e baguetes embaixo do braço, a pergunta que mais me veio à cabeça nesse tempo foi : Onde está aquela Paris dos filmes ? Onde a cada esquina tinha um acordeão, um francês de bigode e blusa listrada preto e branca, um baguete embaixo do braço e fumando seu cigarro enquanto fala sobre a vida ? 

Até hoje só encontrei a baguete embaixo do braço. Os acordeões nas esquinas são imigrantes ou refugiados buscando uma vida melhor e eles tocam música para que os turistas joguem uma moeda no estojo do acordeão. Os vestidos e beijos floridos foram editados no photoshop, as esculturas e obras magníficas do Museu do Quai-Branly não revelam os massacres contra os povos africanos. Isso e todo o resto, na verdade, se traduz numa fila gigantesca pra subir na torre Eiffel. Conheci muitos parisienses que nunca subiram na torre Eiffel. É um preço exorbitante que alimentaria uma família de 3 pessoas durante pelo menos um dia.

Paris pra mim foi sobretudo um ambiente de adversidades. Eu tinha acesso à uma escola de engenharia de elite e ao mesmo tempo, eu tinha acesso à uma geladeira e uma prateleira vazia em casa. Acesso à pessoas que estavam vivendo a melhor parte de suas vidas, saindo todos os dias, indo em festas incríveis e realizando viagens inesquecíveis enquanto eu chegava em casa e tentava ignorar a necessidade do meu corpo de jantar. Foi um ano e meio dos dois anos que convivi entre as pessoas iluminadas que moravam no céu, enquanto minha alma continuava no inferno. Às vezes eu sinto que minha mente preferiu acreditar que tudo era um sonho. E eu vivi nesse lugar entre a realidade e o abstrato durante todo esse tempo.

Dentro de mim, Paris tem um outro significado. Lembro que todos os dias quando saíamos do metrô, um homem, que morava na estação Pyrénées, estava lá sentado com um círculo de sujeira extremamente fedorenta ao redor de si. Os funcionários do metrô jogavam um desodorante ao redor dele pra justamente inibir o cheiro forte. Sempre me perguntei por qual razão ele acordava todos os dias, sentava-se naquela cadeira, se sujava completamente e ficava olhando as pessoas saírem e entrarem no trem do metrô. Será que ele gostava de observar ou o que ele queria era ser observado? Na rotina dos dias, lembro que à partir de um momento preciso, ele não estava mais lá. Um elemento da minha rotina havia mudado. E na minha consciência, a pergunta "pra onde ele foi?" se manteve constante durante algumas semanas. Teria ele desistido de ficar ali? Talvez ele tivesse finalmente encontrado o que queria ver ou viver. Mudado daquela rotina prisional, aberto a porta de quem ele era e atravessado em direção ao desconhecido que mora dentro da gente. Talvez tivesse falecido, avançado em direção aos trilhos enquanto o próximo trem se aproximava.

Algumas semanas mais tarde, ele estava lá novamente. O alívio pela presença dele e a tristeza por ele não ter conseguido se libertar dali foram imensos. Eu não conseguia me libertar e eu havia torcido durante todas aquelas semanas pela liberdade dele. Estávamos ambos ali, prisioneiros da nossa própria realidade, sem previsão de condicional ou tratamento especial. Mas que realidade era essa que éramos prisioneiros? Eu acordava, tomava uma ducha, ia pra EIVP, estudava o dia todo com o intervalo de almoço, saía com alguém pra conversar sobre aquilo tudo que estava vivendo, voltava pra casa e estudava mais um pouco. A rotina dos dias esconde as regras que nos foram impostas por esse jogo que chamamos sociedade. 

Acreditava que precisava ir em todas as aulas, mas aprendi que as melhores aulas são nas ruas, com as pessoas que estão ali vivendo e tendo experiências únicas e pontos de vista inestimáveis. Paris me fez ver que a maior riqueza que nós temos nesse planeta são essas pessoas. Conheci pessoas que fizeram fortuna trabalhando com advocacia e outras que fizeram fortuna com prostíbulos. Conheci pintores totalmente desconhecidos e geniais em noites completamente absurdas e garçons que como eu, tentavam viver naquela cidade extremamente cara. Conheci o céu e o inferno, mas também conheci o espaço no meio, onde a maioria das pessoas vive.

Paris me mostrou a riqueza que cada um contém. Como os pontos de vista podem se unir pra formar uma nova perspectiva que é mais do que a soma de suas das partes.

Agora fica a pergunta de como usar isso tudo aqui. Nesse desenho inacabado que deixei de lado.

Mas mais importante do que terminar esse texto com uma frase de efeito. Queria te perguntar déjà.

O que você acha?
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quinta-feira, 15 de agosto de 2019

A última flor do Sena



Aos domingos, Paris amanhece estranha… é incrível. Há um marco zero diferente na cidade. Magnetizado, ele puxa os estudantes conforme o sol se impõe. À beira do Sena, lá está a flor, a última (ou a primeira), em um dos raros guetos de prédios novos e ruas largas da capital, encurralada entre o rio e a Biblioteca Nacional, apresento-lhes, mesdames et messieurs, La Barge du CROUS de Paris.

O caminho do beija-flor

É muito fácil chegar lá, independentemente de onde você estiver. Tem tramway 3a, tem a linha 14 do metrô, tem RER C, tem Vélib’, tem a porra da patinete elétrica. Só não tem desculpa pra não ir.
Cuidado! Se pegar a patinete elétrica, não ande na calçada. Se a fiscalização te parar, vai ter uma multinha pesada te esperando.
Indicações precisas de itinerário, só com o Google Maps e afins (aliás, baixa logo o Citymapper, melhor app do mundo pra se locomover em Paris). Sem rumo e sem bateria, vá pra Châtelet e pegue a 14 até a biblioteca, voilà ;)

O néctar

Além dos pratos bem mais ou menos, do jeito que o estudante gosta e tá acostumado, a barge é um ótimo endereço pra ouvir a língua portuguesa, a última flor do Lácio, nos mais variados sotaques. Porque sim, somos parecidos demais e pensamos igualzinho. Acho que a ideia de comer fora num almoço de domingo, em um barco sobre o Sena e por 3,25 € é irresistível demais pra um povo que assiste seus rios morrerem lentamente. Desculpa, desabafo político aqui.
ALERTA
Por enquanto não existem muitas opções veganas ou vegetarianas no cardápio, tomara que isso mude para as gerações seguintes.

Voar, voar… subir, subir…

Na parte de cima do barco tem um café bem legal. Nos dias de tempo bom pode valer a pena dar uma passada lá. Curti quando fui. Só uma vez, mas foi bacana.
Algum megaevento esportivo rolando? Normalmente eles transmitem algumas partidas de futebol na barge. Champions League quando tem PSG na fase de mata-mata (o que nunca dura muito, triste) ou mesmo a França nas Copas do Mundo e Eurocopa.
Copa do Mundo é um evento a parte, eles exibem todas as partidas das grandes seleções, exceto as do Brasil. Foi assim em 2018. Ou é raiva do Neymar, ou, no passado, alguns brasileiros tocaram o terror por lá.

Esplendor e sepultura

A barge é, em essência, um espaço de encontro barato e conveniente aos domingos. Repito, aos domingos, dia do brunch. Nos outros dias é como qualquer outro restaurante do CROUS, que existem aos montes pela cidade.
Quando você não se sentir mais turista na cidade, vai ver que os domingos realmente amanhecem diferente em Paris, e que o marco zero não é mais na Ile de la Cité. Quando perceber, já vai estar escutando o bom e velho avancez, s’il vous plaît ! da fila. Bon app’.
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quarta-feira, 31 de julho de 2019

Queria que tivessem me dito isso no começo do intercâmbio


Hoje uma pessoa no trabalho me disse que ela não pode contar com meu julgamento porque ele não é objetivo.
 

Atualmente, estou fazendo meu estagio em Lyon. Foi uma das poucas oportunidades de trabalhar com engenharia de dentro da empresa - no escritório - ao invés de trabalhar no canteiro de obras. Foi também a primeira oportunidade de observar o ambiente corporativo francês. O modo como as pessoas se comportam, sobre o que elas falam, como elas se vestem e quais características são louvadas e quais são execradas.

Ainda não tinha trabalhado em escritório estando na área da construção e algumas das minhas experiências anteriores na França para compensar a falta de bolsa de estudos - o que afetou bastante meu desempenho escolar - haviam sido :
  • Como garçom
O Hotel/Restaurante era luxuoso então recebia pessoas do mundo inteiro que passavam por Paris. Encontrei produtores brasileiros de café tentando vender café na França (aparentemente apenas 2-3 pessoas vendem o café brasileiro em toda Europa, se você tenta não passar por essas pessoas, você é boicotado), alemães que trabalhavam nas grandes corporações de direito europeu, artistas que trabalhavam na Paris Fashion Week, americanos de todas as partes dos EUA - inclusive me perguntaram se fazíamos hambúrguer, o que deixou o chefe do restaurante extremamente nervoso.
Eu era o único garçom/caixa/assistente de cozinha/bartender/faxineiro nos fins de semana, posso te confessar que em relação aos preços dos pratos, eu pagava meu salario em um dia de trabalho. Porém meu contato era em grande maioria com turistas, pessoas que estavam felizes por estarem ali. Não havia contato com a gerência do restaurante nem com o grupo que gerenciava o empreendimento.
  • Como freelancer em informática
Aparentemente é uma realidade tanto no Brasil quanto na França: as pessoas que trabalham com informática são exploradas. Nunca recebi tão pouco pelo tanto que fazia. Encontrei pessoas de todos os tipos e nacionalidades, entrei nos escritórios de La Défense com a vista sobre a Fundação Louis Vuitton e mais ao fundo sobre a torre Eiffel para instalar computadores estando com fome e com frio durante um dia inteiro.
O problema não era o trabalho, trabalhar nunca é um problema. O problema principal era a falta de dignidade de condições ideais de trabalho. Um padrão muito interessante era que os estrangeiros eram empregados com contratos de curta duração (Mini-CDDs) e os franceses conseguiam contratos de longa duração (CDI).
  • Como estagiário de Engenharia Civil em um canteiro de obras
Embora tenha sido uma experiência extremamente dura e em certos momentos traumatizante, foi minha primeira experiência direta com engenharia civil. Eu não tive contato com muitas pessoas nem estava inserido no ambiente de trabalho da empresa que eu fazia parte. Dentro do canteiro existia uma relação de suserania e vassalagem, uma hierarquia infelizmente necessária mas não menos excruciante. A parte mais interessante foi ouvir a experiência dos pedreiros, dos artesãos e das pessoas que faziam parte do verdadeiro trabalho do canteiro, de produzir diretamente aquele edifício. O canteiro é um ambiente multicultural. Eu falava mais português do que francês durante meu estágio. Logo não havia contato com a tal da cultura corporativista francesa.
Esse estágio como Engenheiro de Métodos (Ingénierie Méthodes) em Lyon foi a primeira oportunidade fora da Escola de Engenharia de entender como a engenharia funciona fora do canteiro, ou de uma maneira mais generalista, como são certas relações de negócios na França. Estando nesse novo ambiente, pude comparar como ele reflete ou deflete em relação aos ambientes anteriores.

Mesmo que tenhamos reflexões relevantes internamente - diga nos comentários abaixo se você concorda - sinto que nunca fui estimulado à compartilhá-las no Brasil. Sempre que não gostava de algo, era melhor dizer que estava bom pra não “ofender” a pessoa do que dizer a verdade - mesmo que de modo construtivo. Lembro inclusive de situações na vida no trabalho que se opor à hierarquia presente era visto como um desafio. Tanto na sala de aula quanto no trabalho existem relações hierárquicas muito fortes onde os chefes e os professores são criaturas a serem "adoradas".

Essas experiências moldaram meu comportamento, mesmo que em algumas famílias essa abordagem seja diferente, senti que na cultura francesa observei o incentivo contrário na grande maioria dos casos.

Desde pequenos as opiniões das crianças são ouvidas e incentivadas assim como postas em cheque. As crianças participam ativamente dos assuntos em pauta na mesa de um almoço de domingo. Uma opinião generalista como “isso é interessante” ou “isso é importante” é compreendida como inocente e fútil, então as crianças são incentivadas a dar respostas bem argumentadas e completas. 

E faz todo sentido. Uma frase como "isso é interesante" é relativamente normal mas nela falta precisão como : O que é importante exatamente? Qual é o objeto da conversa? Se estivermos falando sobre direitos humanos, qual aspecto dos direitos humanos é importante ? Em quais situações você está pensando precisamente quando faz sua consideração ? Essas situações são realmente regras ou são exceções ?

Existe uma certa genialidade em falar a verdade usando a retórica que é louvada na França. A eloquência é tida como a característica última das pessoas inteligentes. Escrevi isso no meu outro texto aqui. Talvez seja por isso que o RAP francês está tanto em voga. Para essa pessoa no meu trabalho em Lyon, eu não emitia opiniões suficientemente exatas. Mas pra quê dar uma opinião com um encadeamento lógico perfeito em um assunto que desconheço? Só pra parecer "genial"?

Eu diria até mais... em outras situações como no estágio no canteiro de obras, esse julgamentos objetivos passeavam bem próximos ao desrespeito.

Finalmente, em que situações nesses últimos dois anos uma adaptação foi necessária? Como discernir onde está uma frase "bien tourné" nessa linha entre o desrespeito e a "genialidade" ?

Um dos meus maiores receios desses dois anos foi ser mal compreendido. Falando uma língua que não era a minha, perdendo milhares de nuances culturais todos os dias e pisando em ovos a cada contato. Mas sabe, e daí? Mesmo se a gente cometer uns erros aqui e outros ali, somos capazes de aprender apenas no momento em que nos lançamos. 

Não tem problema você ultrapassar a linha, é até importante que você a ultrapasse correndo o risco de errar. 

Se você observar que a reação não foi das melhores, se você esforçou para se fazer entender e não deu certo, a melhor dica que eu posso te dar é muito simples :

Peça desculpas. Mas não tenha medo de errar.
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terça-feira, 25 de junho de 2019

G16/EIVP voltando ao Brasil em um mês + MegaPack "Pisei na França e Agora ?"

Olá à todos vocês ! Aos que estão chegando, bem-vindos e aos que estarão partindo, simbora!

Nessa reta final do intercâmbio, o tempo tem passado depressa. Quase como se ele corresse pra próxima cena, para o próximo diálogo entre personagens. Esses anos pra mim e pra todos desse intercâmbio foi um ano de desafios. Cada um enfrentou dificuldades inimagináveis pelo caminho, encontrou respostas extremamente interessantes à partir dos desafios impostos.

Semana passada nós da EIVP apresentamos o trabalho de conclusão de curso ou travail de fin d'études. Na minha experiência pessoal, foi sensacional ser capaz de fazer a apresentação do TFE na EIVP, sozinho, para um jury de duas pessoas extremamente exigentes e que acolheram minhas idéias assim como meu raciocínio. Mesmo as idéias e as respostas que improvisei na hora da apresentação.

G16 - EIVP - Junho 2019

Estava pensando que ao contrário do clichê, não passou rápido. Foram dois anos sem bolsa, dois anos contando com a ajuda diária das pessoas ao meu redor. A razão de não ter desistido? Justamente essas pessoas me mostraram um apoio imenso, devo tudo isso à elas.

Nesse sentido, quero sempre tentar retribuir um pouco do que fizeram por mim. Então pra quem está chegando, vou escrever aqui um MegaPack de dicas. Correndo o risco de ser um pouco repetitivo em relação ao guia ENPC/EIVP, mas especificamente pra EIVP  :

1 - Alojamento :
A EIVP tem uma parceria com o CROUS Créteil e pedindo mais informações às pessoas na secretaria, ou por e-mail, eles podem conseguir uma vaga pra você. Não é uma promessa, mas uma possibilidade. Porém, uma vez que eles te enviam o e-mail de aprovação, você precisa responder o mais rápido possível pra garantir sua vaga. A segunda opção é procurar nos grupos do Facebook da EIVP.

2 - Celular / Chip :
Os correios (La Poste) vendem uma opção de chip pré-pago que você pode usar pra receber ligações, custam 10 euros aproximadamente.
Algumas operadoras como Free Mobile tem promoções em que você paga 1 euro por mês durante 1 ano, obtém 100 gigabytes de dados, ligações e mensagens ilimitadas.

3 - Banco :
Em 2018 e 2019, os bancos online finalmente chegaram na França. Pra maior parte das operações francesas, você precisa de um RIB francês, como pra receber algum auxílio estudantil ou o seu salário de estágio. Normalmente por lei, eles são obrigados a depositar no RIB que você fornecer. Mas a maioria dos softwares que eles usam pra organizar os RIBs, só aceitam números de RIB franceses.
NÃO ACEITE TODOS OS TERMOS DO CONTRATO DO SEU BANCO. Eles incluem diversos pacotes e serviços que você não vai usar ou que você pode encontrar em outros lugares mais barato como os seguros de alojamento.
Um bom banco é o Boursorama : https://www.boursorama-banque.com/?origine=2403
Peça à alguém um código de partenariat pra você ganhar 150 euros ao abrir sua conta.

4 - Transporte
Dentro de Île-de-France, você pode ir pra todos os lugares uma vez que você possua seu Passe Navigo. O plano estudante se chama Imagine-R. E finalmente, ele também pode ser feito online. Uma maravilha ! Se você não tiver um endereço aqui na França, entre em contato com os moradores atuais, tente negociar pra pedir com antecedência e mandar entregar na casa de alguém que irá te buscar no aeroporto. Ele demora um pouco à chegar e quanto mais rápido você adiantar, melhor pra ti !
https://www.imagine-r.com/

5 - Roupas de frio
As roupas mais baratas estarão na Primark. Existem algumas fora de Paris.
As roupas baratas, mas ainda assim em conta, você pode encontrar nos mercados de rua, principalmente no bairro de Belleville. Não hesite à comprar com alguns meses de antecedência. Um verão bem quente é certeza de um inverno ridiculamente frio por aqui.

6 - Se tornar 100% fluente em francês e francês técnico
Se eu pudesse fazer uma curva de aprendizado do francês desde que eu cheguei, seria assim :

Eu senti que aprendi muito nos primeiros meses e depois de um tempo, senti que não estava conseguindo fazer nenhum avanço durante vários meses. Me perguntei qual o motivo, tentando encontrar uma resposta em mim. Estava bem aí meu erro.

Quando usamos uma linguagem, nós temos modelos mentais do que significam as palavras e as expressões que elas contém. Como quando falo "esse trem é bom", a palavra "trem" na minha mente é um modelo genérico de qualquer elemento que eu esteja com vontade de destacar - logo uma das vantagens em ser mineiro. Pode parecer simples, e é. Esse modelo mental foi aprendido por mim ao longo das minhas interações com as pessoas. A única maneira de você aprender alguns desses modelos mentais é com os franceses. Sem a integração, sem ir nas festas com eles, sem conversar, puxar assunto mesmo aos trancos e barrancos, não há como você encontrar esses modelos mentais na internet - ou muito raramente.

Ainda mais complicado é o uso de termos técnicos em francês. No início, muitos termos técnicos fugiam à minha compreensão. Fiz um dicionário bem rudimentar francês-português em engenharia civil, mas prefiro não compartilhá-lo. Ao invés disso, forneço aqui um exemplar ainda mais completo da tradução inglês-francês em Engenharia Civil :

 https://drive.google.com/open?id=1BHteQsEIuwXzDHviKC9f7M1jDAX6tLo9


7 - As vantagens de não ser um especialista - Tente aproveitar ao máximo as conferências e atividades extraclasse propostas pela EIVP e procure outras, mesmo que o tempo esteja curto ! São essas participações que vão te dar as referências, o espírito crítico e o vocabulário em engenharia na língua francesa
Estava lendo essa matéria muito interessante sobre como pessoas que são generalistas - pessoas que se interessam por uma variedade de assuntos - tem uma flexibilidade em adaptar o conhecimento entre essas áreas que pode levar à contribuições surpreendentes.

A EIVP é uma escola de engenharia generalista. Ela forma engenheiros que sejam capazes de se adaptar à diversas situações. Num mesmo dia você vai calcular e dimensionar uma laje em concreto e vai realizar um projeto que precisa atender uma necessidade - que você deve ser capaz de absorver - de Paris e seus arredores.

O artigo está aqui, nesse jornal maravilhoso chamado Nexo Jornal.

Tente sempre adaptar sua história, sua cultura e quem você é para colocar em prática nos projetos da EIVP. O meu primeiro projeto da EIVP, me inspirei na arquitetura do Niemeyer na obra da Igreja da Pampulha. O primeiro projeto, o Projet Construction, é completo. Realizamos todo o processo de concepção desde a compreensão da necessidade do cliente até a entrega do projeto (dossier) como se fosse uma resposta à uma licitação (appel d'offre). Não era um projeto perfeito, não foi um dos meus melhores trabalhos, mas foi uma maneira de dizer que sentia saudades de casa.


E logo chego aí em casa.
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sexta-feira, 5 de abril de 2019

A cadência francesa

Le Crotoy - Normandie

Desde que cheguei, tenho me apaixonado um pouco mais pela humanidade. A maneira de ser e interagir, toda essa sensibilidade que reina logo abaixo dessa camada superficial de palavras. Ao mesmo tempo, percebi que a maior parte das observações que tenho sobre a França são iguais ou muito parecidas com nosso comportamento brasileiro. Não existe uma grande diferença assim apenas sutilezas. Uma delas é a cadência.

Primeiro, gostaria de definir o que entendo por cadência. Não sei a definição linguística mas defino aqui como o ritmo que conduzimos ao compor uma frase oralmente.

Por exemplo, no português marcamos nossa cadência colocando vírgulas em posições definidas na frase. Essas vírgulas embora nem sempre condizem com o que os gramáticos gostariam que fosse feito, ditam sobre as pausas quando falamos. Aqui nesse texto é a melhor forma de demonstrar o que quero dizer.

No português poderíamos fazer uma frase falando:

1. Ontem eu estava em casa, lendo um livro, e miraculosamente do nada, alguém bateu na porta.
2. Ontem, eu estava em casa lendo um livro, e miraculosamente, do nada, alguém bateu na porta. 

É uma mudança muito sutil nas pausas que fazemos que não faz muita diferença na língua portuguesa. A função da língua foi cumprida: a história foi compreendida, a informação transmitida.

No francês, essas pausas são uma regra. Uma mesma história pode deixar de ser compreendida se você não colocar as pausas no lugar apropriado. Elas são muito mais importantes e de fato sem a presença do silêncio, a função da língua - de transmitir uma informação - não seria cumprida. Os franceses não entenderiam. Isso provoca uma confusão gigante. Nunca sabemos quando alguém terminou de falar algo ou quando "podemos" falar - sem sermos extremamente mal-educados.

E ainda no francês parisiense, se você não terminou de concluir um raciocínio é melhor você estender o som de uma vogal do que deixar uma pausa. A pausa simboliza o fim de uma construção lógica dentro da composição de uma frase.

Quando aprendemos as três possibilidades de fazer uma pergunta em francês, reafirmo que são uma verdade extrema. Não existe a possibilidade de que algumas palavras mudem de lugar e dê certo. Eles não entenderiam a frase.

Essa forma é sempre muito bem definida.

Mesmo que uma pessoa seja inteligente e competente, a definição de alguém brilhante ou genial na França é diretamente ligada ao domínio da linguagem corporal e oral. Um domínio do tempo entre a colocação das palavras. Um domínio da cadência.

A questão central têm sido como alguém consegue controlar ou provocar na mente do seu interlocutor uma combinação perfeita. Ajustando cada intensidade das palavras escolhidas na frase.

Eu cito essa intensidade das palavras porque a provocação é algo muito importante nesse "ambiente intelectual" francês. A provocação consciente dentro da cultura francesa é a prova de um certo brilhantismo radiante e que a princípio, me causou um choque cultural.

Ao mesmo tempo, deixo pra você o questionamento final, quais desses comportamentos são tão diferentes assim do que temos no Brasil?
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domingo, 9 de dezembro de 2018

Custo da França, Paris e o que estou estudando

Fala meu povo!

Continuando nossa série de perguntas frequentes pra poder atualizar as coisas por aqui, segue esse post caprichado!

  • AS BOLSAS
"Não é barato viver na frança." 'Não é nem um pouco barato viver em Paris." Vocês vão ouvir isso demais, e tem sim sua verdade. Paris é uma das cidades mais caras para se viver e o câmbio atual não ajuda. Hoje, lamentavelmente o acordo de Duplo Diploma da UFMG só da direito a 3 bolsas: 2 para a ENPC e 1 para a EIVP. Para os 11 alunos que tentaram o processo seletivo no ano passado, apenas 3 tiveram a certeza de que teriam seus estudos financiados pela CAPES.

Por outro lado, existem outras possibilidades, sendo a principal a Bolsa Eiffel que é ofertada pelo governo francês por intermédio da Campus France a alunos que possuem bom desempenho acadêmico (aqui se enquadram os postulantes ao duplo diploma), sendo que se concorre com pessoas do mundo todo. A pessoa não pode se candidatar a essa bolsa, apenas a escola para a qual ela vai consegue fazer isso. No nosso caso, a ENPC envia os dossiers dos alunos (a EIVP não envia, mas é porque o aceite da escola só é realizado após o prazo final). Historicamente, alunos da UFMG vinham conseguindo algo em torno de 2 bolsas por ano, mas nos últimos dois anos isso aumentou: a G16 pegou três e a G17 pegou quatro. #MerciMacron

As bolsas CAPES são atribuídas para os primeiros colocados do processo seletivo, mas em caso desses serem selecionados pela Campus France elas são passadas para os demais. Ainda existem outras possibilidades de bolsas na frança, especialmente de empresas ou até mesmo uma bolsa social que a Ponts oferece aos seus alunos, mas isso não é tão garantido nem tão frequente.

Então, esse ano tivemos 7 bolsas no total, mas estamos indo em 10. Um dilema muito grande é: "Vale a pena ir sem bolsa?". Clique aqui e veja os artigos desse tópico.


  • CUSTO DE VIDA
Bom, pra mim que nem cheguei na França ainda fica um pouco complicado falar disso, to me baseando muito no que os veteranos falam. Daí ouçam o vlog da Ludmilla (G16) falando um pouco sobre o assunto:



Gastos mensais do ano de 2018 :
Aluguel
  • Aluguel médio Studio em Paris = 700 euros
  • Aluguel médio Republica (Collocation) Paris = 400 euros
  • Aluguel médio quarto em uma casa grande com jardim fora de Paris = 400 euros
    • Onde procurar?  PAP.fr
    • Regiões :
      • Departamentos 95 : parte sul (São bairros portugueses), 
      • 93 : qualquer lugar é barato, mas você vai precisar andar um pouco até o metrô, o que é normal pra maioria das pessoas que moram aqui
      • 92 ou Versailles : Fica longe, mas é bonito e você tera tempo de ler no trem :)
Alimentação
  • Preço médio alimentação sem cozinhar em casa e sem limites = 200 +/- 50 euros
  • Preço médio alimentação cozinhando em casa e com uma dieta balanceada = 90 +/- 20 euros
Transporte
  • 38 euros e você pode andar por todo départment d'Ile de France
 Outros
  • Seguridade social obrigatória : 215 euros/ano (esse ano foi de graça, não sabemos se vai continuar sendo assim...)
  • Seguro Responsabilité Civil com seguro Moradia : 1 à 15 euros por mês (encontre um bom banco popular que seja barato)
  • Confirmação do visto pela OFII + Renovação apos um ano : 60 euros + 60 euros
  • Participação pra fazer esportes pela EIVP : 90 euros
  • Viagens primeiro semestre pela EIVP (integração) : 300 euros (duas viagens 90+210)
  • Festas EIVP : 0 à 5 euros
  • Preço médio de roupas de frio Decathlon (Conjunto Segunda pele, meias de frio, etc) : 50 euros
Obs.: O que é responsabilité civil? Um seguro universal Francês sobre tudo de errado que você possa vir a fazer. Desde deixar o computador de um amigo cair na École, até você esbarrar e deixar cair a Monalisa numa visita ao Louvre.

  • O QUE EU VOU ESTUDAR NA FRANÇA?
Depende. Existem 3 possibilidades: GCC, VET ou EIVP. 

Se você for pra ENPC e escolher o GCC (Génie Civil et Construction) você vai ver matérias próximas das que temos no Dep. de Estruturas, Geotecnia e Materiais. Eu ainda não comecei a estudar lá, mas ouço de todo mundo que o curso não é tão fácil. Há uma grande ênfase na formulação matemática das coisas, algo com o que não estamos acostumados aqui no Brasil. Mas é suportável, especialmente para quem gosta da área.

Se você escolher o VET (Ville, Environnement et Transport) você ainda vai ter que escolher um domínio de estudos (transportes, ambiental e planejamento urbano) e vai ter que fazer algumas matérias obrigatórias e algumas outras livres (escolher dentro de uma lista que eles te dão.

O currículo da ENPC é bem flexível. Você tem que cursar uns 70% de disciplinas obrigatórias, mas de pode escolher as outras dentro de uma lista e ainda cursar qualquer outra matéria que você queira como eletiva (desde que caiba no seu horário). É bem diferente da UFMG em que já temos tudo bem definido.

Já na EIVP, a formação é bem parecida com a da UFMG, temos matérias de hidráulica, estruturas, urbanismo entre outras. Porém é uma formação mais intensa. Em alguns dias, as aulas começam às 8h30 e acabam às 20h, com uma pausa pro almoço de 11h-13h e pequenas pausas de 15 minutos entre as aulas de 3h cada. A cada semestre, paralelamente às matérias, temos projetos com os mesmos níveis de complexidade que o TIM I, II e III da Engenharia Civil. Além disso, cada professor de uma matéria a ensina em poucas aulas e no maior nível de detalhamento possível. Então em um semestre, fizemos todas as matérias que teríamos ao longo de três semestres na UFMG na área de Estruturas por exemplo. O foco da EIVP é formar bons profissionais, atuantes e com boa argumentação - por isso muitos projetos são feitos independentemente pelas pessoas e apenas acompanhados pelo professor como se este fosse um cliente - que saibam lidar com pessoas, com propósitos e propostas. A formação também inclui matérias de cunho social, com debates, estudos sociais e comportamentais principalmente aplicados à dinâmica urbana.

Tem opções para todos os gostos, já que os cursos são bem distintos dentro da Engenharia Civil. Faça sua escolha considerando isso!

À bientôt!
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